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Esforço para aumentar plantel

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I nteressada em aumentar o plantel de bubalinos no Estado, a Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu) solicitou ajuda, na semana passada, à Câmara Setorial de Pecuária de Corte da Secretaria da Agricultura para elaboração de um mapeamento sobre as plantas frigoríficas existentes no Estado e sobre quantas estão habilitadas a abater o animal. O rebanho atual é de 70 mil cabeças, espalhadas por fazendas de 296 municípios, especialmente na Metade Sul do Estado, segundo a associação. “Com esse levantamento, vamos conhecer a realidade do abate no Estado e a distribuição dos frigoríficos para saber se há regiões que carecem de estruturas habilitadas para essa carne e o que pode estar interferindo no desenvolvimento da espécie”, diz o vice-presidente da Ascribu, João Gaspar de Almeida.

No dia 17 de março, a assessora técnica da Câmara Setorial de Pecuária de Corte, veterinária Carla Lehugeur, irá apresentar à associação informações sobre os frigoríficos e as diferenças entre o abate de bovinos e bubalinos, na sede da Farsul, em Porto Alegre. Das cerca de 290 plantas industriais que trabalham com carne de bovinos no Estado, 53 também abateram búfalos no ano passado, segundo a Câmara Setorial. Para Almeida, depois do levantamento pronto, as informações serão repassadas aos produtores e frigoríficos para uma melhor organização da cadeia.

O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado (Sicadergs), Ronei Lauxen, diz que habilitar empresas para o abate de bubalinos é algo “relativamente simples”, uma vez que bastariam apenas algumas adaptações de manejo. No entanto, acredita que antes seria necessária uma divulgação maior do consumo desse tipo de carne. “As plantas têm a estrutura para o abate de bovinos e o búfalo é um animal muito parecido. Só que não existe um mercado específico para essa carne. Se houvesse um trabalho diferenciado, focado nessa carne, acredito que a indústria poderia se interessar mais por esse abate”, avalia Lauxen.

Centro de manejo estuda o animal

E stá previsto para março o início das pesquisas com bubalinos na Estação Experimental da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) em Eldorado do Sul. A Faculdade de Agronomia, em parceria com a Ascribu, vai implantar um centro de manejo, no qual fará estudos sobre o comportamento dos animais e sobre seus produtos, como carne, leite e couro.

Para dar largada aos trabalhos, criadores vão doar dez bubalinos, um macho e nove fê- meas, ao projeto que será conduzido pela professora do Departamento de Zootecnia da Faculdade de Agronomia, Elisa Cristina Modesto. “Temos pouca informação sobre os bubalinos e como s e comportam, sobre a integração deles com bovinos e ovinos, período gestacional e ganho de peso”, reconhece Elisa. “Temos um campo vasto para pesquisa.” Para a professora, a ideia é oferecer mais informações à sociedade e à cadeia produtiva para despertar um maior interesse por esses animais, que “têm bom desempenho no Sul do Brasil e se adaptaram bem no Norte e Nordeste”. Elisa destaca que muitos nutricionistas e cardiologistas já orientam o consumo de produtos de bubalinos, como a carne, que tem menor teor de colesterol.

O vice-presidente da Ascribu, João Gaspar de Almeida, elogiou a iniciativa da universidade. “Temos grande interesse nesse trabalho, até para que tenhamos no mercado mais mão de obra capacitada para atender os criatórios”, ressalta.

*Matéria publicada originalmente no jornal Correio do Povo, em 28/02/2017